Perfil: a pesquisadora que mapeou as favelas de BH com drones e inteligência artificial
Professora da UFMG desenvolveu metodologia que já foi adotada em projetos de urbanização em três estados.
Ana Paula Vieira cresceu na Vila Cafezal, uma das maiores favelas de Belo Horizonte. Hoje, como professora do Departamento de Urbanismo da UFMG, ela usa drones e algoritmos de visão computacional para mapear com precisão as comunidades onde cresceu — e ajudar a planejar melhorias que façam sentido para quem vive nelas.
A metodologia desenvolvida por Ana Paula combina imagens aéreas de alta resolução com dados socioeconômicos e entrevistas com moradores. O resultado é um mapa dinâmico que mostra não apenas a estrutura física das comunidades, mas também fluxos de mobilidade, pontos de vulnerabilidade e potenciais de desenvolvimento.
'A maioria dos projetos de urbanização falha porque parte de dados errados ou desatualizados', explica a pesquisadora. 'Nosso sistema permite que gestores tomem decisões com base no que está acontecendo agora, não em levantamentos de cinco anos atrás.'
O trabalho de Ana Paula já foi adotado em projetos de urbanização em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco. Em 2025, ela recebeu o Prêmio Nacional de Inovação Urbana, concedido pelo Ministério das Cidades.
Para o futuro, a pesquisadora quer expandir a metodologia para cidades médias do interior de Minas. 'As favelas de Montes Claros e Uberlândia têm problemas tão complexos quanto as de BH, mas recebem muito menos atenção e recursos', diz.